Chico comendo cometas De: Ediney Santana Uma mosca gigante devorou um vulcão, ficou como cara de pastel. O sol mudou-se para Plutão “é o fim do mundo” gritou D. Coló. José (o grilo) de estimação do senhor Ambrosio devorou uma sardinha radioativa. Coitado morreu brilhante como um vaga-lume na sexta-feira santa. “É o começo do mundo” gritou Pipi, dona da casa funerária... “Quando termina, começa para mim, se é para terminar então para quer esperar” pensou Pipi enquanto colocava chumbinho na caixa d’água do albergue “ pobre diabinhos”, rio ela de si mesma. Na parede do quarto da virgem Julia tinha uma boca que devorava tudo e a todos, menos os bebês de dona Coló. Tudo se foi pelo buraco; Coló, José (o grilo) Ambrosio, Pipi e a mosca... Enquanto isso Chico devorava cometas na velha estação da Leste. Ps: conto dedicado a Michael Jackson que como Fernando Sabino nasceu homem e morreu menino. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 10h07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Bromélias e hortelãs De : Ediney Santana “Para mim chega”. Essas foram as últimas palavras de Moisés Lima antes de disparar contra a própria cabeça. Fui ao enterro, levei bromélias, dropes de hortelã (ele gostava) e um cartão: do João, amor nunca eterno. Ele estava certo, por mais que eu tentasse fugir minha vida havia sido raptada por ele. Conheci Moisés Lima no Estrela Bar. Ele sedutor, eu tímido, ele afogado em nicotina, eu fantasma de emoções. Algo o perturbava: por que eu não sorria!Um dia depois de bebermos todas no Bistrô contei que havia entregue meu sorriso a Ana Carolina Dias Flores, por isso não sorria nunca. Meu sorriso estava preso em algum canto do coração de Ana. Na manhã seguinte me ligou e gritou aquela frase “para mim chega”. Logo depois o tiro. Ainda hoje ouço o grito e o tiro repetindo-se sempre às cinco da tarde, só nos dias de chuva. Enquanto isso um buraco sangra água sem gás em minha cabeça oco do mundo. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 12h48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Sombras e sombras roubadas De: Ediney Santana Decidi roubar a sombra de todo mundo que amo, porque amor é de tudo que fazemos reféns. Coloquei todas as sombras em permanente exposição nos Jardins que Nunca Acontecem. Como plantas e flores dos Jardins que Nunca Acontecem todo mundo sem sombra passou a viver na espera de acontecer. Tempo nunca acontecido é sepultura de quem também pelo amor foi fragmentado. Nunca tive amor, apenas sombras e sombras involuntárias no calabouço coração. Por tudo isso, decidi libertar todas as sombras hoje à tarde. Algumas de tão velinhas nem conseguiram andar direito, mas estavam felizes pela liberdade tardia. Migrei para o albergue São Domingos, deixei minha alma ir por aí feliz em liberdade, fiquei só tão somente com minha alma sombra chocolate-baunilha, sentado em baixo do pó de pitanga, o mesmo da minha infância na escola Monteiro Lobato. Minha sombra envelhecida lentamente dormiu em meus baços. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 10h06
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Livros mortos De: Ediney Santana - O que você faz para ganhar a vida? - Vendo livros, mas não são livros comuns,são livros mortos. - Livros Mortos? Por que mortos? E livro tem vida? - Claro que tem. Os livros ganham vida quando são lidos, mas os meus coitados, nunca serão lidos. - Não serão lidos? - Não, só vendo livros para enfeite, há até livros que todas as páginas são brancas. O que vale é a bela capa dura. - Tem gente que compra? - Se tem? É o que mais tem. O negócio é impressionar as visitas, ter todos os clássicos na estante mesmo que se confunda Graciliano Ramos com Lazaro Ramos, não importa o negócio e impressionar. Fazer que é mais não é. - Antes de vender livros o que você fazia? - Fui idealista, bela profissão não é? Idealista. - Bela profissão? - Me formei em Leras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana, UEFS...Idealista. - Deixou tudo para vender livros? - Como Assim? Vender livros? Eu vendo sonhos ao contrário, permito que as pessoas fantasiem que elas são mais do que realmente são. - Só isso? -Só isso? Não tenho interesses por questões metafísicas, como disse Fernando Pessoa, não há melhor metafísica do que ir a tabacaria, no meu caso ao Bistrô do Miúdo.Formo leitores de mentira, ganho dinheiro de verdade, a realidade não me interessa. - Se você é feliz tornado a humanidade desumana...paciência. - Humanidade desumana? E quando a humanidade foi humana? Pega aqui essa Bíblia chinesa coisa fina e me deixa em paz, troco por dois copos de cerveja preta, hoje não conseguir vender nada. Humanidade, humanidade é pimenta nos olhos e dinheiro no meu bolso. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 10h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
O homem, o sadismo e aceitação De: Ediney Santana No dia 16 de maio de 1966, Joelino Gonçalves decidiu esquecer o “mundo” e mudou-se para dentro do espelho do banheiro da rodoviária de Salvador. Viver em um espelho era a melhor saída para quem da vida nunca se soube alegre. Ouvia sempre seus vizinhos lhe dizer que era triste por não ter uma alma. No vai e vem do banheiro Joelino Gonçalves fica enjoado com a alegria dos que passam em frente ao banheiro. Quando decidiu morar no banheiro da rodoviária Joelino Gonçalves imaginou que rodoviárias eram lugares de saudades e despedidas. Se enganou! Irritado com tanto gel e alegria Joelino Gonçalves começou a roubar a alma de quem na frente do espelho parasse, foi arrastando milhares de almas para dentro do espelho. Gente sem alma, gente sem alegria. Quanto mais alma roubava Joelino Gonçalves crescia em rancor, sadismo e ódio. Até que um dia antes do carnaval explodiu! Ficou tão grande de sadismo e ódio que não coube mais no espelho. Explodiu!. Saiu pelo Iguatemi devorando gente e vitrines, em pleno carnaval quando Daniela Mercury cantava que (embora branca) “A cor dessa cidade sou eu”, roubou a alma de todo mundo. Mesmo antes da quarta-feira o carnaval já era cinza. Engarrafou Salvador (com seus trios elétricos e pinturas repetidas no Pelourinho) e bebeu tudo em um só gole. Cheio de medo e pânico o povo preferiu não reagir, aceitando pacificamente se o povo mais ordeiro do mundo. Joelino Gonçalves gigante em tudo notou que ele havia devorado toda a alegria da cidade e era um único que realmente estava cheio de alegria, chorou de emoção, se matou ao por do sol no Farol da Barra ao som de uma flauta ressuscitando -Lua bonita- de Zé do Norte. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 11h28
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Entre borboletas azuis De: Ediney Santana O médico disse: - dentro de você tem um lobisomem e duas casas de cupim. Ela rio, vestiu sua camisola cor de rosa, porque tudo em sua vida é cor de rosa e chamou o filho. O filho tinha nas mãos Cosme Damião e uma imensa fé de que tudo acabaria bem. Segurou na mão do filho e rezaram preces alegres e nem por isso amarga. O que ela desejaria era mandar Deus para a casa do caralho, mas na hora H pedia a Deus que a curasse ou a levasse de uma só, sem dor, sem medo. Foi ficando sombreada, transparente. Através dela podia-se ver o século XVIII inteirinho, Gregório de Matos e aulas de gramática gerativa. Até o padre Vieira estava por lá mal-humorado como sempre. Hoje pela tarde ficou invisível, desapareceu como borboletas azuis nos jardins em chama. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 16h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 João D. da Cruz De: Ediney Santana João D. Cruz amava a lua. Veio o rei e invejoso e roubou a lua do céu. Passou então a amar as estrelas, veio o reio do céu apagou todas as estrelas. João D. Cruz passou amar os cometas, o rei mais uma vez roubou o que ele mais amava. Não desanimou João D. Cruz. Passou a amar o céu vazio... O rei roubou-lhe o céu. Passou a amar o rei, o rei muito zangado roubou-lhe a capacidade de amar. Pela primeira vez João D. Cruz chorou, o rei muito surpreso e assustado finalmente roubou-lhe a vida. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com A obra que ilustre esse conto é de José Joaquim da Rocha (1737? - 1807) titulo :"O beijo de Judas e Pedro cortando a orelha de Malchus".
Escrito por Ediney Santana às 10h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
ELE De: Ediney Santana Primeiro comeu meu corpo e cuspio um pedaço da orelha no vaso sanitário, depois triturou minha alma e a vendeu em dízimos para uma igreja de esquina. Quando já não tinha mais nada ferveu óleo quente e dissolveu minha pele, lentamente fui me vendo sendo derretida. Deus teve piedade e na hora exata que Ele ia ser preso, Deus matou os policias que estavam na viatura. Ele fugiu para o céu, toca harpa e namora um anjo emafordita. No céu por decreto divino todos os anjos são emafordita. Me jogou uma praga, me transformou em uma coisa que não sou nem gente, nem nada. Meio tamanduá? É! talvez. Além de formigas tenho a mania de cutucar a cara com giletes (tipo a prima Aninha fez uma vez lá na Piritiba). No verão passado ele apagou definitivamente o meu sol, fiquei cega, sem nada além de duas batatas doces para comer, até que veio um enorme dragão cansado de servir de enfeito para um santo imbecil e me arrebatou, invadimos o céu e obrigamos Ele me amar por toda eternidade. ediney-santana@bol.com.br www.cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 10h42
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Ciranda,Cirandinha De: Ediney Santana Embora soubesse exatamente o que veria (guardava certa esperança de que algo não repetido acontecesse, mas nada nunca acontecia e tudo se repetia) olhou feliz pela janela para a rua. Há 63 anos que não saia de casa, tudo o que sabia e via era pela sua janela. Em 63 anos nada ia além do que sempre foi. Todo dia 16 de cada mês tudo recomeçava, em repetição frenética: o que havia morrido renascia, o velho voltava a ser novo. O tempo voltava e com ele a indiferença da dor, sabores, perdas e ganhos. Só na casa do Velho Peralta o tempo corria normalmente, desde que descobriu isso trançou-se nela e de lá via a vida indefinidamente se repetir. O Velho Peralta rejeitou a repetição da eternidade previsível. Refulgiu-se na sua casa, entregando-se a tudo que morre, assim como a casas que devoram gente e bebês de proveta. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 10h47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Paz do meu amor nº2 De: Ediney Santana Coloquei Taigura no toca disco .Amarelo, capa plástica, comprado na Loja Oliveira em 1938. “Você é isso, Uma beleza imensa. Toda recompensa de um amor sem fim” Luiz Vieira na voz de Taiguara tem qualquer coisa de barrco, me lembra as visitas no meu tempo de estudande ao museu do Recolhimento do Humildes, como um nome desses o museu era só ouro e prata. Ele apareceu, como sempre irritado e meio idade média para o meu gosto. Trazia nas mãos um guarda chuva, charuto na boca e rosa na lapela. Não disse nada, puxou o revolver e disparou no toca disco,Taigura perdeu a voz lentamente. Um fio de sangue saio do meu umbigo e enrolou em seu pesçoso. Quanto mais ele gritava mais o fio de sangue o sufocava. Amanheceu, tudo em paz, Taiguara voltou a cantar: “Eu desisto, não existe esta manhã que eu perseguia Um lugar que me de trégua e me sorria Uma gente que não viva só pra si Só encontro gente amarga, mergulhada no passado procurando construir seu mundo errado” Coloquei em sua lápide os versos de Taigura, versos para um novo homem que vai nascer entre as rosas e uma lapela abandonada. ediney-santana@bol.com.br www.cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 12h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Amar (gura) De: Ediney Santana Primeiro os pés de Cirilo, como em um piscar de olhos, criaram raízes fincando ele no pântano o qual vivia desde os sessenta anos de idade. Não demorou muito todo o seu corpo estava como raízes do pântano. Apenas o coração continuava o mesmo: cheio de amarguras. Quanto mais o coração aflito se perdia em amarguras, mas Cirilo era envolvido pelas raízes e lama do pântano. Tudo que se aproximava de Cirilo virava lama e logo depois pó. A vida aos poucos foi acabando. O pântano virou um grande deserto. Cirilo ainda hoje estar por lá, soprado de um lado para o outro pela areia. Ele e o seu coração amargurado na anti-vida que escolheu para si. ediney-santana@bol.com.br www.cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 11h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Cuica de Santo Amaro, Ele o tal De: Ediney Santana - Estamos a perder o romantismo com as coisas inanimadas que guardam histórias das coisas vivas - Foi a única frase dita por Ele, o tal, ao fechar pela última vez seu antiquário que funcionara por quase cinquenta anos em uma casinha amarela em frente ao Chafariz francês na Praça do Bonfim. Há bom tempo que não tinha mais clientes. O silêncio na loja só era quebrado quando colocava em seu gramofone um Enrico Caruso ou um Demis Russos. Tinha o hábito e sentar nas pautas das canções e ia assim esquecendo-se de si e do tempo que tanto sonhou aprisionar na poeira das lembras que vendia. Viajava pelos labirintos barrocos e renascentistas do Antiquário Santa Elisa, ás vezes entrava nas páginas dos livros e salvava os heróis, princesas e bruxos das traças que insistiam em devorar a única alegria dos contos de fadas: o “viveram felizes para sempre”. Mesmo sendo um antiquário havia uma sala dedicada ao futuro e suas utilidades. A sala era vazia, ele esperava calmamente que alguém trousse as utilidades do futuro – um antiquário deve guardar o que ainda na memória não é gasto pela novidade sedenta de nascimento - repetia sempre que entrava na sala dedicada ao futuro e suas utilidades. Quando trancou a porta de madeira do antiquário estava vestido com um pijama pertencente um dia ao Barão de Vila Viçosa. Entrou na sua carruagem, toda em veludo, pediu ao cocheiro que o levasse ao bar Cipó do Velho Lídio. Ao chegar jogou e perdeu sessenta centavos no caça - níquel, ironizou-se sem estupidez. Alguém passou vendendo cds piratas, comprou um da Banda Calypso e convidou Herculano Neto para dançar. No terreno baldio que um dia foi o Antiquário Santa Elisa alguém plantou flores de aço e zinco. Brotaram coisas já gasta de futuro, tudo já é gasto de futuro. Naquele terreno baldio sempre é primavera, sempre chove, dia após dia chove, as flores de aço e zinco estão lá a rirem de si sem estupidez. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 17h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Show Renato Russo e Adriana Calcanhotto De: Ediney Santana Há Tempos ausente dos palcos, essa noite na Esplanada dos Ministérios em Brasília, o cantor e compositor Renato Russo volta a fazer um show.Durante toda apresentação vai dividir o palco com Adriana Calcanhotto, uma parceira inédita para ambos. Depois do fim da Legião Urbana em 11 de outubro de 1996, Renato dedicou-se a literatura escrevendo alguns romances e peças para teatro. A admiração por Adriana Calcanhotto vem de longos anos, desde que Renato ouviu pela primeira vez a canção “Esquadros”. Cerca de 60mil pessoas são esperadas hoje à noite para esse encontro que concerteza será marcante. Adriana Calcanhotto deu agora a pouco uma entrevista coletiva. Bastante emocionada falou da alegria de cantar em Brasília junto com Renato e também de ser escolhida por ele para essa volta aguardada há anos. O Renato não concede entrevista desde 1996, mas distribuiu uma nota na qual fala da admiração pelo trabalho da Adriana e de como para ele é super importante voltar a cantar em Brasília ao lado de alguém que, segundo ele, é uma das maiores compositoras da música contemporânea. Aqui pela Esplanada encontramos fãs de todas as idades, há os fãs da literatura e das músicas do Renato. Agora para os saudosos da Legião Urbana o cantor avisou que não vai cantar nenhuma música da banda. O show vai ser marcado por músicas inéditas dele e em parceira com a Adriana. Todo o show será transmitido com exclusividade pela Laetitia TV. São mais de trinta profissionais envolvidos na transmissão. Tudo para registrar esse momento raro no qual dois grandes artístas vão ao palco celebrar a música, a literatura e a vida. Só lembrando o show é de graça. Há aqui um palco enorme cheio de flores. A produção informou que durante a apresentação serão distribuídas milhares de rosas e margaridas. Então se você estiver em casa venha para cá e participe deste momento aguardado durante anos por todos que são fãs do Renato e da Adriana. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 11h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Casa De : Ediney Santana Ninguém quis me ouvir, ninguém nunca me ouviu quando disse que a Casa roubava-nos a felicidade. A Casa se recria ao sugar pervertido da felicidade de quem nela vive em busca de abrigo do tempo e suas arestas. Cada tijolo é uma prisão de risos, de paixão e amores vencidos pela falsa sensação de lar que a Casa oferece os que nela tem o ego caricaturalmente adoçado. A criança chora, a mãe se ri das suas maquiagens, o pai deixa de ser homem da casa: torna-se a indiferença e lentamente vai se esquecendo que é pai. Os azulejos sugam o oxigênio, o piso é festa no sangue que dos seus reféns faz purpurina, a cama do casal é arena na qual ninguém há de saber mais quem se estar ao lado. As crianças desaparecem sem pai nem mãe. A Casa floresce, abre os braços. Porque sempre há gente em busca de um lar, mas há as Casas e suas viceras famintas prontas para sem cerimônia, transformar corações apaixonados, em objetos indiferentes as paixões que da vida nos recria alegrias. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 10h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Doce, doce e amor De: Ediney Santana Amerinda subiu aos céus, tudo isso porque cismou de colher algumas estrelas. Construiu suas asas com esmero sonhos de quem tem alma doce. Foi subindo até chegar ao B612. Afagou a pequena flor que por lá vive e foi-se pelos céus sem fim, cheia de amores pelas estrelas. Nunca mais voltou a terra. Brilha na plena escuridão, feliz com o cometa que fez de si. ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com/
Escrito por Ediney Santana às 09h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
|

|
|

|