Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias


                40 anos depois; Juracy Day

                                 De: Ediney Santana

 

40 anos depois. Juracy Day resolveu amar novamente. Amou elegantemente o que antes lhe dava medo e incertezas.

Amou Isadora  Feliz; durante duas horas amou profundamente , depois veio o frio sobre o amor que por duas horas foi puro, como só os amores puros o são.

Isadora nem percebeu o amor de Juracy Day, ela fiou assim: Criança de fastio, comedora de terra nos laços do acaso.

 Juracy Day de tão seu. Involuntariamente seu, foi ficando como casca de Jacarandá nem envelhecido e nem jovem apenas estanque de coração como um Jacarandá.

Enquanto Isadora enterrava Carlão da Moto Taxi, Iracema, Cristina, Pedro e tantos outros. Seus anos foram de enterro em enterro, porque em sua vida todas as horas eram de despedidas, Juracy Day estava ali amando, em duas horas intermináveis, como um Jacarandá sem porque de existir.

Juracy Day encontrou Isadora, mas não a reconheceu. A Isadora da suas duas horas estava muito longe em um tempo em que só existia o seu tempo, o tempo de Juracy Day, tempo de quem fez do coração a mais triste favela de um único amor.

Isadora Feliz sentada no banco da praça a comer algodão doce, inocente igual o anjinho de ontem à noite.

Isadora Feliz ficou bicho empalhado no banco do jardim. Beijo-flor, cigarras e sereias fizeram moradas entre os seus dedos. Isadora Feliz ficou lá na praça, dessas praças nas  quais moças felizes fazem festa a esperar por um amor qualquer que as livrem da solidão.

Juracy Day lá, perdido em suas duas horas de crimes amorosos. Quarenta asnos depois estava lá perdido em si, silenciado em si. Vivendo para si e para as duas horas em que amou sem medo, amor bom, amor sem revelações.

ediney-santana@bol.com.br

Laetitia Editore

 

 



Escrito por Ediney Santana às 14h38
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