ASSIM JO JARDIM DA INFÂNCIA, COMO NO INFERNO
De: Ediney Santana
“A felicidade só é verdadeira quando é individual”. Repetia isso com alegria e sentimento de amor profundo por si e tão somente por si.
Saiu por aí devorando tudo o que lhe parecia felicidade coletiva. Com grande prazer enterrou tudo que era paz de espírito que havia em si no seu quintal de areia e cal. Era uma alma de guerra, raiva e guerra de pura tirania (que dizia ser divina) era senhor absoluto do ódio por tudo que brilhasse, por isso mesmo à noite adestrava tempestades absolutas nos beijos nocivos ao tempo seu. Desejava purificar a beleza do mundo com sua raiva profunda de tudo que pudesse ser feliz, com tudo que era feliz.
Seus olhos pareciam dragões, mas não era rude. Tinha delicadeza de uma fada e elegância dos homens de terno em linho negro.
Na quinta- feira que vem matou todas as crianças do jardim da infância da Rua Chile, sufocou a todos com a raiva de um arco-íris sem luz.
Não fez isso pelas crianças, mas só para ri do desespero da mãe. Achava que as mães eram felizes de mais. Mãe gostava de amar incondicionalmente e nada mais torpe para ele e perigoso que o amor incondicional.
Agora à tarde engravidou de si, foi se reproduzindo indefinidamente pelo tempo, tempo que era sue refém, sua paixão em cirandas sem música.
Deus o fez com os melhores ingredientes que um ser humano poderia ser feito, deus era seu grande herói. Porque deus sabe se divertir com os infiéis no jardim da infância.
Atou-se na frieza das camas do mundo, promoveu divórcios, inundou corações e mentes. “sei viver” disse agora a pouco ao sair de cena. Sabia viver, porque do mundo não se fez colecionador das “tolices que o tempo corrói”
Olhou para o céu, um relâmpago caiu bem no seu olho direito, ficou ali brilhando como quem anuncia a chegada do messias. Indefinido no ato de ser e crer fez passagem para tantos mundos que até respirou sem calma na paz que tanto negou ter em si.
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