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Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias


                  Ciranda,Cirandinha

                               De: Ediney Santana

 

Embora soubesse exatamente o que veria (guardava certa esperança de que algo não repetido acontecesse, mas nada nunca acontecia e tudo se repetia) olhou feliz pela janela para a rua.

Há 63 anos que não saia de casa, tudo o que sabia e via era pela sua janela. Em 63 anos nada ia além do que sempre foi.

Todo dia 16 de cada mês tudo recomeçava, em repetição frenética: o que havia morrido renascia, o velho voltava a ser novo.

O tempo voltava e com ele a indiferença da dor, sabores, perdas e ganhos.

Só na casa do Velho Peralta o tempo corria normalmente, desde que descobriu isso trançou-se nela e de lá via a vida indefinidamente  se repetir.

O Velho Peralta rejeitou a repetição da eternidade previsível. Refulgiu-se na sua casa, entregando-se a tudo que morre, assim como a casas que devoram gente e bebês de proveta.

ediney-santana@bol.com.br

http://cartasmentirosas.blogspot.com

 

 



Escrito por Ediney Santana às 10h47
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