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Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias


 

ELE

De: Ediney Santana

Primeiro comeu meu corpo e cuspio um pedaço da orelha no vaso sanitário, depois triturou minha alma e a vendeu em dízimos para uma igreja de esquina.

Quando já não tinha mais nada ferveu óleo quente e dissolveu minha pele, lentamente fui me vendo sendo derretida.

Deus teve piedade e na hora exata que Ele ia ser preso, Deus matou os policias que estavam na viatura.

Ele fugiu para o céu, toca harpa e namora um anjo emafordita. No céu por decreto divino todos os anjos são emafordita.

Me jogou uma praga, me transformou em uma coisa que não sou nem gente, nem nada. Meio tamanduá? É! talvez. Além de formigas tenho a mania de cutucar a cara com giletes (tipo a prima Aninha fez uma vez lá na Piritiba).

No verão passado ele apagou definitivamente o meu sol, fiquei cega, sem nada além de duas batatas doces para comer, até que veio um enorme dragão cansado de servir de enfeito para um santo imbecil e me arrebatou, invadimos o céu e obrigamos Ele me amar por toda eternidade.

ediney-santana@bol.com.br

www.cartasmentirosas.blogspot.com



Escrito por Ediney Santana às 10h42
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