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Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias


                      O homem, o sadismo e aceitação

                               De: Ediney Santana

 

No dia 16 de maio de 1966, Joelino Gonçalves decidiu esquecer o “mundo” e mudou-se para dentro do espelho do banheiro da rodoviária de Salvador.

 Viver em um espelho era a melhor saída para quem da vida nunca se soube alegre. Ouvia sempre seus vizinhos lhe dizer que era triste por não ter uma alma.

No vai e vem do banheiro Joelino Gonçalves fica enjoado com a alegria dos que passam em frente ao banheiro.

Quando decidiu morar no banheiro da rodoviária Joelino Gonçalves imaginou que rodoviárias eram lugares de saudades e despedidas. Se enganou!

Irritado com tanto gel e alegria Joelino Gonçalves começou a roubar a alma de quem na frente do espelho parasse, foi arrastando milhares de almas para dentro do espelho.

Gente sem alma, gente sem alegria. Quanto mais alma roubava Joelino Gonçalves crescia em rancor, sadismo e ódio. Até que um dia antes do carnaval explodiu!

Ficou tão grande de sadismo e ódio que não coube mais no espelho. Explodiu!. Saiu pelo Iguatemi devorando gente e vitrines, em pleno carnaval quando Daniela Mercury cantava que (embora branca) “A cor dessa cidade sou eu”, roubou a alma de todo mundo. Mesmo antes da quarta-feira o carnaval já era cinza.

Engarrafou Salvador (com seus trios elétricos e pinturas repetidas no Pelourinho) e bebeu tudo em um só gole. Cheio de medo e pânico o povo preferiu não reagir, aceitando pacificamente se o povo mais ordeiro do mundo.

Joelino Gonçalves gigante em tudo notou que ele havia devorado toda a alegria da cidade e era um único que realmente estava cheio de alegria, chorou de emoção, se matou ao por do sol no Farol da Barra ao som de uma flauta ressuscitando -Lua bonita- de Zé do Norte.

ediney-santana@bol.com.br

http://cartasmentirosas.blogspot.com

 

 

 

                                                         



Escrito por Ediney Santana às 11h28
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