Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias
  

      Mosca Azul

                  De: Ediney Santana

 

Saio às vezes a voar pelo mundo montado em minha Mosca Azul. Quando estou sobre ela enxergo tudo através dos seus olhos.

Eu e a  Mosca Azul corrompemos corações e mentes há dois mil anos.

Somos os vencedores e os vencidos, armamos ambos os lados de um mesmo coração.

Do alto todos são mesquinhos e interesseiros, metem e desejam além do que podem ter.

Eu e a Mosca Azul apenas damos aos homens e mulheres a sensação de ser cada um deus destrutivo do outro.

ediney-santana@bol.com.br

http://cartasmentirosas.blogspot.com



Escrito por Ediney Santana às 19h41
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                 João Maria, o porteiro

                                De: Ediney Santana

 

Quando descobriu não ser mais amado João Maria não pensou mais que uma vez: se jogou na frente de um trem, morreu mutilado. Só o Trix, seu cachorro, reconheceu seu copo estraçalhando.

Neste domingo pela manhã João Maria recebeu a noticia que não era mais o chefe do telégrafo, voltaria para sua antiga função: porteiro da agência dos Correios e telégrafos.

Na segunda feira foi ele tomar posto na portaria dos Correios. Durante todo o dia ninguém retribuiu seus cumprimentos, sempre que tentava falar com alguém sua mão ficava pendular no vazio da rejeição dos seus antigos amigos.

A noite em sua casa chorou amargamente, lembrou de quando era convidado para inúmeras festas, das dúzias de afilhados que tinha.

Tudo que mais gostava foi-se, inclusive as visitas à casa de Joana Pequena que fazia deliciosos bolinhos de amendoim, nunca mais bolinhos de amendoim.

Não suportou a solidão de ser porteiro, ser porteiro tinha algo de não existir é como se fosse a própria porta.

Foi até a linha férrea, abriu os braços na frente do trem e gritou: não sou amado!!!!!

ediney-santana@bol.com.br

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Escrito por Ediney Santana às 09h36
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