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João Maria, o porteiro De: Ediney Santana Quando descobriu não ser mais amado João Maria não pensou mais que uma vez: se jogou na frente de um trem, morreu mutilado. Só o Trix, seu cachorro, reconheceu seu copo estraçalhando. Neste domingo pela manhã João Maria recebeu a noticia que não era mais o chefe do telégrafo, voltaria para sua antiga função: porteiro da agência dos Correios e telégrafos. Na segunda feira foi ele tomar posto na portaria dos Correios. Durante todo o dia ninguém retribuiu seus cumprimentos, sempre que tentava falar com alguém sua mão ficava pendular no vazio da rejeição dos seus antigos amigos. A noite em sua casa chorou amargamente, lembrou de quando era convidado para inúmeras festas, das dúzias de afilhados que tinha. Tudo que mais gostava foi-se, inclusive as visitas à casa de Joana Pequena que fazia deliciosos bolinhos de amendoim, nunca mais bolinhos de amendoim. Não suportou a solidão de ser porteiro, ser porteiro tinha algo de não existir é como se fosse a própria porta. Foi até a linha férrea, abriu os braços na frente do trem e gritou: não sou amado!!!!! ediney-santana@bol.com.br http://cartasmentirosas.blogspot.com
Escrito por Ediney Santana às 09h36
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