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Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias


            Convento dos Humildes

                        De: Ediney Santana

 

-Morrer não é tão somente morrer, como morrer desse jeito? Gritou Vilma da Feira do seu lilás e envelhecido caixão

Ela morta há quase cem anos, depois de um frio, chato e católico velório vivia a resmungar pragas à vida e à morte.

-Fui esquecida nos fundos da capela nº2 do Campo de Caridade, não haveria lugar melhor? Dentro de uma santa e madre igreja, por exemplo? Repetia a  mesma frase inúmeras vezes.

Não foi sepultada, depois que o cafezinho e bolinhos acabaram as sentinelas foram embora, o corpo ficou lá esquecido. Não tinha esperança de ser ouvida, gritava porque sentia uma espécie de orgasmo ao tentar se convencer o quanto estava realmente morta.

- Sabia quem os vivos não levam mortos na conta de essenciais à vida. Lamentava-se às vezes

Sua maior tristeza, no entanto não é estar morta e esquecida, nada disso, sua grande tristeza é não poder ir à missa no Convento dos Humildes as terças à noite, quando coincida com noite de carnaval na pequena Santo Amaro da Purificação.

http://cartasmentirosas.blogspot.com

ediney-santana@bol.com.br

 

 

 



Escrito por Ediney Santana às 17h38
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