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Ediney Santana: A vida reinventada e outras histórias


Prezados encerro hoje as atividades deste blog por ter concluído o projeto que deu origem a dois livros, o primeiro Sanabel, ainda inédito e o segundo a coletânea Mais uma Dose (parceria com Herculano Neto) você pode baixar o livro gratuitamente em  http://laetitiadigital.blogspot.com/.

Sugiro ao leitor que vá aos arquivos deste blog e leia os demais contos e que também visite meu blog    HTTP://cartasmentirosas.blogspto.com

Abraços e alegria sincera

*Ediney Santana

* Nasce em Mundo Novo – Chapada Diamantina-Ba, em 14 de março de 1974, vivo em Santo Amaro da Purificação - Ba

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ediney-santana@bol.com.br

 

 



Escrito por Ediney Santana às 14h10
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Renasceu para a morte

De: Ediney Santana

 

Renasceu me 2010 depois de cinquenta de morto.

- Aqui  não era a venda do Mariano ? e o Mané da Banca de revista? Você é o meu filho? Ta velho.

- Não meu pai, o senhor é que morreu já faz muito tempo.

Renasceu para um mundo não mais seu, renasceu apenas para notar o quanto melhor seria morto  e viver apenas nas saudades dos outros.

Olhe-se no espelho, não se reconheceu, estava mumificado e sem cabelos, tudo nele tem cheiro de éter e tristeza. Lembrou da sua última noite no mundo: hospital, enfermeiras, gritos e choros.

- Alguém conhece o  Renato Russo? Violeta de Outono?

Ninguém nasceu para o seu passado, o tempo soprou sobre sua morte renascida para nada e com nada.

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Escrito por Ediney Santana às 13h18
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...

De: Ediney Santana

 

Olho o céu com as garras afiadas, sei que uma laranja ET há de me fazer cócegas na ponta do meu nariz.

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Escrito por Ediney Santana às 13h05
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Ao amor

De: Ediney Santana

Um amor era o que ela queria, conseguiu essa tarde: dois galhos de urtiga e um Coquetel Molotov  em sua lápide escreveram: “fui inserida

num mundo sentimental

mas sou de pedra”

         da sua amada poeta brasiliana Lara Amaral

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Escrito por Ediney Santana às 09h02
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Dias sim como os dias de não

De: Ediney Santana

 

Aos poucos foi ficando só palavras escritas. Cido perdera o hábito de falar, há muito da sua boca não saía uma palavrinha se quer.

Andava com um bloco de papel e sua inseparável caneta cor laranja. Tudo que queria dizer o fazia por escrito, até o dia em que eu Zé de NhonNhon deu para roubar e roubou a caneta de Cido e seu bloco, Cido emudecera de uma vez.

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Escrito por Ediney Santana às 13h38
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“O visível”

 

- Tem certeza que está me vendo? É comigo que quer falar?

- Claro, o senhor todo de branco e laranja, com um sorriso desses como não o veria.

- É que sou invisível. Tão invisível que até mesmo minha mãe não me viu quando nasci.

- João, o senhor é perfeitamente visível, tão negro como os cabelos de um Cristo africano, tão alegre quanto o leve amor que o mundo negou.

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Escrito por Ediney Santana às 09h03
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Bebeu uma gota lágrima caída de um tamanduá Bandeira. Foi como se toda floresta amazônica desaparecesse garganta a baixo da sua tristeza.

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Escrito por Ediney Santana às 10h29
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Quem é você

O outono tornou visível tua frágil alegria, de pétala em pétala mostrou-se tuas varizes, teu olhar antes como duas grandes luas, agora nada além de um longínquo e tímido sol sem por que.

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Escrito por Ediney Santana às 10h28
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O povo

                                De: Ediney Santana

 

Estava sentado à mesa com o Keu quando entrou o vendedor de caranguejo. La estava todos sujos de lama, com o destino cruelmente irrevogável, vidas sem vidas.

Os caranguejos me pareciam apavorados, fizeram-me lembrar indefesas crianças no colo dos pais.

Os caranguejos ali estavam como quem pede socorro, estavam tristes, amarrados naquela corda imunda... Os caranguejos.

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Escrito por Ediney Santana às 11h51
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Sonata nº 35

 

Ontem morreu a Peripodes

pobre Peripodes, seu

viúvo,  o Ermogenes, chorou

consolavelmente  nos braços

do seu fiel amigo Tomas.

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Escrito por Ediney Santana às 13h29
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Ao som de Ângela Rôro

 

Me venha tão calma como a última tempestade, esteja comigo quando na noite desse tempo sentir vontade de chorar, saiba que os valentes tem seus dias de medo e vontade de colo.

Me venha como dois irmãos que nunca se falaram, como o arco-íris depois da fúria divina.

Amor, meu pequenino amor, saiba estou bem aqui e se você quiser te abro meus braços, te espero depois da tua felicidade.

Ta ficando tarde, ruas desertas, chove um pouco, ouço o ronco de um fusca, lembro da minha infância.

Tanta gente boa já se foi por aí, tanta gente triste ri da nossa solidão, amor, meu grande amor me leve para Bolívia, Argentina, Uruguai e todos os países da nossa latina América.

Meu grande e frágil amor quando minha luz se apagar esteja por perto, mas não ri quando eu tão pequenino chorar de medo.

Tão leve amor me abandona nos teus doces lábios, sou teu coração vagante pelo mundo, vou te esperar passar pela minha rua e invadir meu corpo depois da última hora que me consome o tempo.

Amor meu delicado amor te ofereço meu calor, minha doce e gentil paixão e quanto me for por aí não esqueças em meu coração, meu amor, te amei no segundo quando foi primavera pela última vez em meu coração sem razão ou delicadeza....

 

 

Sonata nº 34

 

Escrevo compulsivamente,

tenho

esperança: depois

do meu passamento

ao menos

uma virgula fique

de mim pelos corações  que amei.

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Escrito por Ediney Santana às 09h54
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O sol nunca nascido

De: Ediney Santana

 

- Joãozinho assim que eu entrar na garrafa me lance ao mar!

Joãozinho lançou a garrafa ao mar.

Tatainha levou para a garrafa tudo que mais lhe agradava:

Sua coleção de gravatas borboletas e um par de sandálias havaianas.

Antes de fazer qualquer coisa lançava seu destino em duas medalhas uma da sorte outra do azar ao ar.

Na manhã daquele domingo a da sorte ficou suspensa no ar, a do azar caiu nos pés de Joãozinho.

Sentiu um frio na espinha, e decidira entrar em uma garrafa e desaparecer no mar, ao mar viveria sem azar ou sorte, apenas viveria e assim si foi em um domingo de páscoa mal acabado.

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Escrito por Ediney Santana às 08h48
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Caixa de sapatos

De: Ediney Santana

 

Amou tanto que guardou-se ao grande amor em um cintilante mascara africana.

Deitava-se ao luar e sonhava estrelas tão delicadas quanto o amor qual se guardava em espera angustiante.

O amor não chegou.

Então mudou-se para uma caixa de sapatos e nunca mais foi tocada por nada além de si.

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Escrito por Ediney Santana às 09h18
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Amor, nunca amor

De: Ediney Santana

 

Todos tinham um dente amarelo no centro da boca, só ele tinha todos os dentes brancos e nenhum no centro da boca.

Por isso, com vergonha nunca sorria, não brincava na hora do recreio, deixou de falar, não abria a boca nem para comer.

Morreu sem ri e com todos seus dentes brancos escondidos na sua boca de defunto envergonhadíssimo.

http://cartasmentirsas.blogspot.com

ediney-santana@bol.com.br



Escrito por Ediney Santana às 17h43
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Amor, nunca amor

De: Ediney Santana

 

Todos tinham um dente amarelo no centro da boca, só ele tinha todos os dentes brancos e nenhum no centro da boca.

Por isso, com vergonha nunca sorria, não brincava na hora do recreio, deixou de falar, não abria a boca nem para comer.

Morreu sem ri e com todos seus dentes brancos escondidos na sua boca de defunto envergonhadíssimo.

http://cartasmentirsas.blogspot.com

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Escrito por Ediney Santana às 08h35
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